MECANISMOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO DIREITO À SAÚDE: PERSPECTIVAS E DESAFIOS NA UTILIZAÇÃO DO E-NATJUS COMO APOIO À DECISÃO JUDICIAL

Autores

Palavras-chave:

judicialização da saúde, inteligência artificial no Judiciário, e-NatJus, governança algorítmica, decisão judicial baseada em evidências

Resumo

A judicialização da saúde constitui um dos fenômenos mais complexos do sistema jurídico brasileiro, resultante da ampliação do direito fundamental à saúde e do crescente descompasso entre demandas individuais e a capacidade administrativa do Sistema Único de Saúde. Nesse contexto, magistrados são frequentemente chamados a decidir questões técnico-científicas de elevada complexidade, o que levou à criação dos Núcleos de Apoio Técnico do Judiciário (NATJUS) e da plataforma e-NatJus pelo Conselho Nacional de Justiça. Contudo, o aumento contínuo do volume processual e a velocidade da inovação biomédica evidenciaram limites do modelo tradicional de apoio técnico. Este artigo analisa a incorporação de mecanismos de Inteligência Artificial ao e-NatJus, com ênfase no Acordo de Cooperação Técnica n.º 53/2025 firmado entre o CNJ e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que prevê o uso de modelos de Retrieval-Augmented Generation e Small Language Models para qualificar decisões judiciais em saúde. Trata-se de pesquisa qualitativa de natureza documental e analítica, baseada em revisão normativa, literatura científica e documentos institucionais sobre judicialização da saúde, governança algorítmica e IA no Judiciário. Os resultados indicam que a adoção de IA possui potencial para ampliar a capacidade técnica do apoio decisório, reduzir assimetrias informacionais e padronizar fundamentações judiciais, desde que associada à supervisão humana e à conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados e a Resolução CNJ n.º 615/2025. Conclui-se que a integração responsável de IA ao e-NatJus representa avanço estrutural no suporte técnico à magistratura, mas exige governança algorítmica robusta para assegurar transparência, controle humano e proteção de direitos fundamentais.

Biografia do Autor

  • Tiago Santos Silva, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

    Doutorando em Desenvolvimento Local – Universidade Católica Dom Bosco

  • Isabella Sigrist Siqueira Becker, Faculdade Insted

    Graduanda em Direito pela Faculdade Insted, com interesse em judicialização da saúde, direito público e inovação tecnológica no sistema de justiça.

  • Michel Angelo Constantino de Oliveira, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

    Michel Angelo Constantino de Oliveira possui formação em Administração e pós-graduação stricto sensu em Desenvolvimento Local (mestrado e doutorado) pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), com atuação acadêmica e institucional em pesquisa e gestão da pós-graduação. Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

  • Renata Rodrigues Lacerda, Faculdade Insted

    Graduanda em Direito pela Faculdade Insted, com interesse em direito público, judicialização da saúde e tecnologias aplicadas ao sistema jurídico.

  • Wagner Aparecido da Silva, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

    Wagner Aparecido da Silva é mestre em Estudos Fronteiriços pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com pesquisa na área de políticas públicas de saúde em regiões de fronteira. Desenvolveu estudo sobre regionalização da saúde na microrregião de Corumbá-MS, com enfoque em gestão e integração de sistemas sanitários fronteiriços. Graduando em Direito pela Faculdade Insted.

Downloads

Publicado

2026-03-01