O CUSTO DA INÉRCIA DECISÓRIA EM OBRAS PÚBLICAS PARALISADAS: EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS EM UMA UNIVERSIDADE FEDERAL
Resumo
Embora a literatura sobre obras públicas paralisadas examine com profundidade as causas de interrupção contratual e os sobrecustos de retomada, permanece subexplorada a mensuração econômica das perdas produzidas pela manutenção prolongada de ativos públicos inacabados sem deliberação tempestiva. Este artigo investiga empiricamente dois empreendimentos da Universidade de Brasília — a Unidade Administrativa e de Serviços (UAS) e o Espaço para Pesquisa em Primeira Infância (EPPI) — com o objetivo de mensurar o custo da inatividade gerado pela inércia administrativa. A metodologia combina análise documental comparativa, reconstrução cronológica dos eventos institucionais, estimação do custo incremental de retomada e modelagem econométrica por regressão linear múltipla do valor locativo patrimonial não usufruído. Os resultados demonstram que, em ambos os casos, a perda econômica acumulada da espera superou de forma expressiva o dispêndio incremental necessário para a retomada dos empreendimentos. Verificou-se, adicionalmente, que os Estudos Técnicos Preliminares elaborados para subsidiar as novas contratações reconhecem a necessidade de conclusão, mas não incorporam mensuração explícita do custo da postergação decisória. Conclui-se que a inatividade de obras públicas constitui mecanismo contínuo de perdas patrimoniais e institucionais ainda ausente das métricas ordinárias de planejamento estatal, o que reduz a racionalidade econômica das decisões de investimento.